O CARDIOLOGISTA NO TRATAMENTO ONCOLÓGICO

 

 

     O avanço no tratamento contra o câncer proporciona a melhora da qualidade e expectativa de vida aos pacientes. Por este motivo, passam a ser vistos como portadores de uma doença crônica e podem apresentar descompensações agudas e afecções cardiovasculares.

     Em janeiro de 2009, a Sociedade Internacional de Cardio-Oncologia foi criada com o objetivo de promover o cuidado adequado ao paciente oncológico permitindo que estejam em condições ideais para receber o tratamento antineoplásico específico.

    Em 2011 foi  publicada a primeira  diretriz brasileira de Cardio-oncologia com os seguintes objetivos:

1) Desmistificar a visão da doença cardíaca como uma barreira ao tratamento efetivo do paciente com câncer.

2) Prevenir e reduzir os riscos da cardiotoxicidade do tratamento.

3) Promover a interação das duas especialidades (Cardiologia e Oncologia) para obter a melhor estratégia terapêutica para o paciente, considerando riscos e benefícios do tratamento.

4) Propor a unificação de terminologias e definições das complicações cardiovasculares no paciente com câncer, com o objetivo de homogeneizar a assistência e a pesquisa.

5) Divulgar as evidências disponíveis em relação às complicações cardiovasculares no paciente oncológico.

6) Disseminar recomendações práticas para a monitorização da função cardiovascular antes, durante e após o tratamento do paciente.

7) Estimular a pesquisa e o conhecimento na área de Cardio-Oncologia.

     A agressão miocárdica com disfunção ventricular sistólica e insuficiência cardíaca destaca-se dentre os efeitos adversos dos quimioterápicos no sistema cardiovascular pela frequência e gravidade.

     A ocorrência desta complicação pode determinar interrupção do tratamento quimioterápico e comprometer a cura ou o adequado controle do câncer. Além disso, insuficiência cardíaca tem pior prognóstico do que muitas neoplasias (câncer de mama, de útero, de próstata e linfomas não Hodgkin).

 

Fatores de risco para cardiotoxicidade:

1.  Extremos de idade;

2.  Disfunção ventricular prévia;

3.   Hipertensão arterial;

4.  Diabetes;

5.  Associação de quimioterápicos;

6.  Radioterapia mediastinal;

7.   Suscetibilidade genética;

 

Os efeitos cardiotóxicos clássicos são cumulativos e guardam íntima relação com:

  - Dose;

  - Velocidade de infusão;

  - Associação de drogas;

  - Insuficiências hepática e renal;

  Por enquanto  as definições  de cardiotoxicidade  dos ensaios clínicos  de oncologia são baseadas nas medidas da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), Segue abaixo a classificação do  Instituto Nacional de Saúde (NIH) cardiotoxicidade segundo a FEVE:

   Grau I: redução assintomática da FEVE entre 10% e 20%​

   Grau II: redução da FEVE abaixo de 20% ou abaixo do normal​

   Grau III: insuficiência cardíaca sintomática

 

►Cardiotoxicidade Aguda / Subaguda são alterações súbitas ou até 14 dias após o término do tratamento sendo as mais comuns:​

- Alterações súbitas na repolarização ventricular

- Alterações no intervalo QT do eletrocardiograma;

- Arritmias supraventriculares e ventriculares;

- Síndromes coronarianas agudas;

- Pericardite e miocardite,

► Cardiotoxicidade Crônica:

    Disfunção ventricular (sistólica ou diastólica) é manifestação mais típica. Dividida em dois tipos de acordo com o início dos sintomas clínicos:

 1 - Durante o primeiro ano após o término da quimioterapia;

 2 - Após o primeiro ano do término da quimioterapia;

 

Manifestações clínicas de cardiotoxicidade

- Insuficiência cardíaca

- Arritmias ventriculares e supraventriculares

- Isquemia miocárdica aguda com ou sem supradesnivelamento do segment ST

- Disfunção ventricular esquerda assintomática

- Hipertensão arterial sistêmica

- Doença pericárdica

- Eventos tromboembólicos

      É de extrema importância a avaliação inicial e o acompanhamento dos pacientes oncológicos que serão submetidos a quimioterapia com potencial cardiotóxico para evitar a piora na qualidade de vida e o aumento do risco de mortalidade:

- Identificando pacientes com evidências clínicas, laboratorial e radiológica de insuficiência cardíaca antes do início do tratamento quimioterápico;

- Diagnosticando precocemente a redução da fração de ejeção, associada a sintomas ou não, durante a quimioterapia;

- Vigilância contínua das manifestações clínicas da síndrome, com avaliação de sintomas pouco específicos como cansaço, fadiga e limitação funcional para as atividades do dia a dia pois a toxicidade pode se manifestar tardiamente.

    Dr Fábio Fumagalli Garcia

    Cardiologista

     CRM-SP 129226

      ARAÇATUBA-SP

Dr. Fernando C. Senra         

Dra. Camila de O. Cola Senra

Tel 18-3621-0365                  

Rua São Paulo, 430, Araçatuba - SP