RASTREAMENTO DE CÂNCER COLORRETAL, O QUE VOCÊ DEVERIA SABER...

 

    No Brasil fala-se muito sobre a importância de exames para prevenção ou diagnóstico precoce de canceres como o de mama, próstata e colo de útero. Porém pouco se fala da importância de exames para o rastreamento de câncer colorretal. Estudos demonstram que exames de rastreamento promovem uma redução do risco de morte por câncer de intestino em torno de 30%.

    Recentemente em Janeiro de 2017, foi publicado em uma importante revista médica (The New England Journal of Medicine) um artigo de revisão sobre o rastreamento de câncer de intestino (colorretal).

     Neste artigo foi exposto as evidências sobre os exames disponíveis e os seus benefícios na realização periódica, para redução do risco de morte por câncer colorretal.

    Os testes mais comprovadamente eficazes são a pesquisa de sangue oculto nas fezes; pesquisa de DNA tumoral nas fezes e no sangue; retossigmoidoscopia e colonoscopia. Esta última ainda é considerada padrão ouro, pois possibilita tanto o diagnóstico, quanto a retirada ou biopsia de lesões suspeitas.

    Os pontos chaves da revisão publicada são:

       1.Indivíduos, a partir dos 50 anos de idade, sem fatores de risco devem iniciar o rastreamento para câncer colorretal. A indicação deve ser individualizada dos 76 aos 85 anos e o rastreamento deve ser interrompido após os 85 anos.

 

       2. Para aqueles com histórico familiar de câncer abaixo dos 60 anos, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 40 anos ou 10 anos antes do parente mais jovem com diagnóstico de câncer colorretal, o que ocorrer primeiro.

 

       3. Apesar de particularmente acreditar que a colonoscopia acabe sendo o exame mais completo / indicado, não existe uma estratégia mais efetiva. A melhor estratégia acaba sendo aquela que o paciente adere.

 

   4. Recomenda-se a pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente; ou; colonoscopia a cada 10 anos, se a primeira tiver sido normal.

 

    5. Embora os danos de testes específicos variem muito, os riscos globais de complicações decorrentes do rastreamento são baixos frente ao seu benefício.

    A medicina preventiva deve ser estimulada e fazer parte da rotina de todos os médicos, não apenas dos especialistas.

    Nos Estados Unidos, estimasse que apenas cerca de 60% dos pacientes aderem ao rastreamento de câncer colorretal, não há dados brasileiros, mas acreditasse que este número seja inferior.

    Se você tem mais de 50 anos e ainda não iniciou seu rastreamento de câncer colorretal, procure o seu médico ou procure um especialista.

 

Referência:

- Inadomi JM. Screening for colorectal neoplasia.  NEJM 376;2

 

Dr Fernando C. Senra

Oncologista

CRM/SP 145.522

Dr. Fernando C. Senra         

Dra. Camila de O. Cola Senra

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